sexta-feira, 10 de junho de 2011

Apesar de reajuste, salário dos bombeiros do Rio de Janeiro ainda é o pior do Brasil

Os bombeiros militares recém-formados que trabalham no Distrito Federal, os mais bem pagos do Brasil, ganham até 3,5 vezes mais do que os colegas de farda no Rio de Janeiro. Em média, um soldado em início de carreira na capital federal ganha R$ 4.269,56. Já os bombeiros fluminenses estão no final da lista de piores salários do país, de acordo com os dados disponibilizados pela Associação dos Servidores do Corpo de Bombeiros e pela Polícia Militar.

O salário médio de um soldado no Estado do Rio, no início dos protestos que terminaram com a prisão de 439 bombeiros, era de R$ 1.092,37 (sem direito a vale-transporte). Após os descontos, um bombeiro recém-formado em início de carreira fica com apenas R$ 950.

Na última quinta-feira (9), o governo do Rio anunciou reajuste de 5,58% para a categoria - o piso salarial passa a ser de R$ 1.152,93 a partir do próximo mês. Mesmo assim, os salários da corporação fluminense permanecem como o pior do país.

Os bombeiros fluminenses estão em campanha desde o final de abril em busca de melhores condições de trabalho – inclusive pedindo a compra de novos equipamentos – e de aumento do piso salarial para R$ 2.000 líquido (após descontos).

Segundo a Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão do Rio, o salário médio dos bombeiros militares do Rio de Janeiro, em 2010, era de R$ 1.532,88. Entretanto, esse valor inclui benefícios, como o salário-família - ou seja, um bombeiro que possui filhos recebe salário maior. O Rio conta com 16.202 bombeiros na ativa, 5.018 aposentados e 1.592 pensionistas.

Ranking

Apesar de o Rio de Janeiro ser o segundo Estado mais rico do país, outros Estados com receita bem menor remuneram melhor os seus bombeiros. Sergipe, que se encontra na 21ª posição do ranking nacional de geração de riquezas, é o segundo Estado brasileiro que melhor paga seus bombeiros, com salários médios de R$ 3.012 - quase três vezes maior do que no Rio. Na sequência, aparecem Goiás (R$ 2.711), São Paulo (R$ 2.170) e Paraná (R$ 2.128).

A crise na categoria não ocorre apenas no Rio. Mesmo com a previsão de aumento para R$ 2.100 no segundo semestre, os bombeiros de Pernambuco pedem que o reajuste eleve os salários para R$ 2.400 - quase o dobro do que recebem atualmente (R$ 1.331). A corporação pernambucana faz, com a Polícia Militar, uma série de passeatas no Recife.

Os bombeiros do Rio Grande do Sul fizeram sua primeira assembleia em 8 de junho. O Estado conta com a pior remuneração da Região Sul e a segunda pior do Brasil (R$ 1.172).

No Sudeste, os bombeiros de Minas Gerais também protestam há mais de um mês. Eles reivindicam reajuste de 7% no salário de R$ 2.041,00 (que já é 53,5% acima do valor pago no Rio). Eles fazem passeatas em Belo Horizonte há quase um mês.

Todos os salários dos soldados recém-formados do Corpo de Bombeiros foram confirmados com as respectivas assessorias de cada Estado.

A polêmica da PEC 300

Conforme previsão do presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados de Brasília, deputado Mendonça Prado (DEM-SE), a atual crise envolvendo o governo do Rio e a corporação fluminense do Corpo de Bombeiros – que culminou com a invasão no Quartel Central há uma semana – é apenas o começo de uma escalada de manifestações que se seguirão pela capital fluminense e também por todo o Brasil. Em Minas Gerais, por exemplo, a Polícia Civil está em greve há mais de um mês.

Ele teme que o movimento dos bombeiros do Rio provoque uma onda de protestos entre bombeiros e PMs de outros Estados do país, em meio à mobilização já existente em torno da PEC 300 (Proposta de Emenda Constitucional) que propõe a unificação dos salários de policiais e bombeiros.

A tensão já cresce com a adesão dos professores, que estão em greve no Estado do Rio, e também com a chegada dos policiais civis, que fazem assembleia geral nesta sexta-feira (10), ao meio-dia, na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), em apoio aos bombeiros presos em Niterói, cidade da região metropolitana do Rio.

Esta é uma questão delicada. Bombeiros, policiais civis e militares pressionam a Câmara dos Deputados a aprovar ainda neste ano a polêmica PEC 300, que vai colocar todos os salários destas categorias no mesmo patamar, equiparando com os salários pagos no Distrito Federal, os mais alto do Brasil.

O governo reclama, pois vai causar uma despesa extra de R$ 43 bilhões no orçamento da União e dos estados, valor mais de 43% superior ao estimado com as obras para a Olimpíada de 2016, por exemplo. Os estados já se mostraram contrários também, sobretudo os do Nordeste, afirmando que não poderão arcar com a despesa extra. O temor entre os governadores é que outras categorias também comecem a pressionar o governo para que recebam aumentos.

A PEC 300 foi aprovada em primeiro turno em março de 2010. Depois, houve uma pressão forte do governo para que a proposta não fosse colocada em votação em segundo turno. Durante várias semanas, policiais fizeram peregrinações e até acampamentos no Congresso Nacional para pressionar os deputados a votarem a medida.

No Rio de Janeiro, os parlamentares da Alerj decidiram por trancar a pauta da semana em apoio às reivindicações do Corpo de Bombeiro do Estado e aos 439 que foram detidos na manhã de sábado (4).

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