segunda-feira, 6 de junho de 2011

Bombeiros distribuem fitas vermelhas em apoio a protesto

Com o objetivo de sensibilizar quem passava pelos arredores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), manifestantes que protestam contra a prisão de mais de 400 bombeiros distribuíram fitas vermelhas a pedestres e até mesmo aos responsáveis pela segurança no local. Um policial do Batalhão de Choque exibia o lembrete na frente do uniforme.

Manifestação em diversos bairros

Mulheres de membros do Corpo de Bombeiros fizeram uma manifestação em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, pela manhã. O protesto ocorreu na Avenida Cesário de Melo, altura da Rua Augusto de Vasconcelos, centro do bairro. Dezenas de manifestantes seguiram para o Hospital Rocha Faria e para o quartel dos bombeiros de Campo Grande.

O Centro de Operações da Prefeitura informou também que outra manifestação em favor dos bombeiros bloqueia uma faixa da Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, sentido praia altura do número 2541. O trânsito está lento no local. CET-Rio e GM atuam para tentar aliviar o tráfego.

Na Penha, cerca de 50 militares fizermam o mesmo: interditaram uma faixa da pista lateral de subida e uma faixa da pista do meio, também sentido Zona Oeste. O objetivo era subir o Viaduto Lobo Júnior, na Penha, e seguir para quartel do bairro.

Bombeiros fazem manifestação por colegas presos

Após a prisão dos 439 militares amotinados no Quartel-Central sábado de manhã, bombeiros iniciaram, ontem, operação padrão. Os Grupamentos Marítimos (G-Mar) de Copacabana e Botafogo reduziram efetivo e ao menos 9 quartéis no interior e Baixada pararam. Nesses locais, bombeiros informaram por telefone que o atendimento a chamados está restrito a casos com risco de vida. À noite, um grupo de 50 bombeiros fez protesto na Ponte Rio-Niterói. Eles desceram de um ônibus e com faixas e cartazes caminharam por dez minutos na altura do vão central, sentido Rio.

Bombeiros dos quartéis de Caxias, S. J. de Meriti, Volta Redonda, Angra dos Reis, Frade, Itaguaí, Mangaratiba, Mambucaba e Saquarema cruzaram os braços. Líderes do movimento grevista dizem que as atividades só serão normalizadas quando os presos forem libertados. Enquanto isso, centenas de militares e familiares prometem ficar acampados em frente à Alerj. Ontem, ocuparam a escadaria com faixas e, munidos até de fogão, distribuíram sopão.

Em nota, o governador Sérgio Cabral voltou a criticar o movimento. “Bombeiros que honram a sua farda jamais levariam crianças como escudos humanos inocentes a um ato contra a ordem pública, iniciado com uma invasão do quartel- central”, disse. E completou: “A invasão, por si só, já é um confronto; com marretas, é planejar uma possível batalha. Com crianças, é um crime”.

O deputado federal Anthony Garotinho (PR) chamou de ‘sandice’ as acusações de Cabral, na véspera, de que ele estaria por trás da greve. Ontem, no quartel de Campinho, um sargento desabafou: “Nos chamar de vândalos? Brigamos para ir à Região Serrana. Passei dias no Bumba. Ontem, fomos socorrer oito vítimas em acidente. Nossa briga não é com a população, é com o governador”.Hoje, parlamentares se reúnem na Alerj para estudar uma solução para o impasse.

Movimento se espalha pela Internet e ruas

O movimento grevista — que reivindica reajuste do piso de R$ 950 para R$ 2 mil e vale-transporte — tem se espalhado pelas redes sociais e ganhado adesão nas ruas. Em vários bairros, faixas vermelhas foram colocadas em janelas. No Centro, o empresário Jorge Rodrigues, 37, disponibilizou 100 homens de sua empresa para carreata a favor do movimento. “Em acidente em Teresópolis, se não fossem os bombeiros, estaria morto. Assim que me tiraram, o carro explodiu”, contou.

O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, pediu em nota que governador e grevistas “desarmem os espíritos”. Ele acusou a “intransigência” do estado mas condenou a ocupação do QG: “Só contribui para diminuir o apoio da população às justas pretensões salariais dos bombeiros”.

Comando atribui efetivo menor ao frio

O Corpo de Bombeiros justificou a redução do efetivo no G-Mar ao clima frio na cidade. A assessoria de imprensa da instituição informou que o quadro de militares está completo, que o número de homens trabalhando leva em consideração “questões climáticas” e que desconhece informação de que quartéis no interior estão fazendo operação padrão.

O de Itaipu, com grande número de militares entre os presos, teve escala reprogramada para não atrapalhar a prestação de socorro, informou. A substituição do efetivo detido poderá ser feita com militares em atividades administrativas.

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