segunda-feira, 20 de junho de 2011

Cabral cometeu sequência de erros no caso dos bombeiros, diz senador Lindbergh Farias (PT-RJ)

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), cometeu uma sequência de erros e deu “declarações infelizes” que agravaram a crise causada pela reivindicação salarial dos bombeiros, afirmou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). “Aquela prisão de 439 bombeiros tinha tudo pra virar o que virou: um ato de comoção”, disse.

Apesar de ter sido aliado de Cabral nas eleições 2010 –e pretender repetir a aliança na eleição para a Prefeitura do Rio em 2012–, o senador critica o governador por exageros na repressão ao movimento dos bombeiros e outros protestos. “O governador Sérgio Cabral é muito habilidoso para fazer política com o pessoal da política, com os prefeitos. Tem que ser habilidoso também com os movimentos.”

Veja abaixo os principais trechos da entrevista concedida por Lindbergh Farias:

UOL Notícias: O senhor se posicionou pela libertação dos bombeiros [presos após invadir o quartel central da corporação], contrariando a postura do governador Sérgio Cabral (PMDB) que foi seu aliado nas eleições 2010. Isso é um sinal de oposição?

Lindbergh Farias: Tenho uma boa relação com o governador Sérgio Cabral. Estamos nesta batalha dos royalties [do petróleo] tentando defender os interesses do Estado do Rio de Janeiro. Mas acho que ali [no movimento por aumento salarial dos bombeiros] o governo do Estado se equivocou em vários momentos. Era para ter negociado lá atrás, ter recebido o movimento. E se equivocou depois também, na prisão dos 439 bombeiros. As declarações do governador também não ajudaram.

UOL Notícias: O senhor achou as declarações truculentas?

Farias: Foram declarações infelizes. Isso criou um clima muito ruim. Tem um projeto meu aqui no Senado que deve ser aprovado na próxima semana, que fala da anistia aos bombeiros. Esse é um ponto fundamental para a construção do acordo no Rio. Claro que vai para a presidente [Dilma Rousseff] depois, mas aqui no Senado o clima é muito favorável [à anistia]. Essa é uma das formas de ajudar na construção de uma saída. Os bombeiros querem duas coisas: negociação salarial e anistia. Acho que o governador está entendendo que agora o caminho é construir uma saída negociada. O governador demorou, mas entendeu isso.

UOL Notícias: O que o senhor pensa do salário atual dos bombeiros [cerca de R$ 1.200 inicial]?

Farias: é o pior salário do Brasil. Mas tinha espaço para negociar com eles. Organizar um plano de médio e longo prazo. Acho que faltou isso. O governador Sérgio Cabral é muito habilidoso para fazer política com o pessoal da política, com os prefeitos. Tem que ser habilidoso também com os movimentos. Se tivesse tido paciência naquele caso da entrada no quartel, se não tivesse colocado o Bope, pela manhã o movimento se desfazia e ia atrás dos responsáveis. Foi uma sequência de erros que deixou o governador numa situação difícil, porque hoje não é só bombeiro. Tem uma greve dos profissionais de educação e os profissionais da saúde se movimentam também. Aquela prisão de 439 bombeiros tinha tudo pra virar o que virou: um ato de comoção.

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