quinta-feira, 9 de junho de 2011

Movimento dos bombeiros ganha a adesão dos policiais militares e entidades criam Frente Unificada, para exigir piso de R$ 2.900

A onda vermelha desencadeada pelos bombeiros após a invasão do Quartel Central, na sexta-feira passada, ganhou um novo tom: o azul da Polícia Militar, que aderiu ao movimento na quarta-feira. Representantes de entidades de classe da segurança pública do Rio se reuniram com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, e apresentaram, além da unificação da pauta de reivindicações das duas corporações, a proposta de elevar o piso salarial para R$ 2.900. A quantia é R$ 900 acima do reivindicado anteriormente pelos bombeiros. Antes mesmo de a adesão dos PMs ser oficializada, mais de cem policiais participaram de uma carreata com bombeiros em Cabo Frio.

À noite, a juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, da Auditoria da Justiça Militar, negou o relaxamento da prisão de 431 bombeiros que estão presos. O pedido tinha sido feito pela Defensoria Pública. Na decisão, a juíza escreveu que a liberdade dos militares poderia pôr em risco a ordem pública e provocar transtornos aos cidadãos, por causa das manifestações, além de aumentar a certeza da impunidade. Há 439 bombeiros presos, mas apenas 431 são atendidos pela Defensoria Pública.

Após a reunião com o comandante, representantes da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, da Associação dos Oficiais Bombeiros, do Clube de Cabos e Soldados da PM e da Associação de Cabos e Soldados Bombeiros anunciaram a criação da Frente Unificada das Entidades de Classe da Segurança Pública. O Sindicato dos Policiais Civis do Estado apoiará o grupo.

O encontro, no Quartel Central, durou cerca de duas horas. Nilo Guerreiro, presidente da Associação de Cabos e Soldados Bombeiros, explicou que a comissão chegou ao mínimo de R$ 2.900 com base na média nacional de pisos da PM e do Corpo de Bombeiros. Hoje, o piso dos bombeiros é R$ 1.198; o dos PMs está em torno de R$ 1.100.

— Somos militares como os PMs. Os soldos são os mesmos. Não pode haver diferença. Estamos unidos com um mesmo propósito — disse Guerreiro.

O coronel Sérgio Simões disse esperar uma proposta oficial e que haja consenso entre os representantes dos manifestantes, já que existem discrepâncias, segundo ele, entre as reivindicações apresentadas por três bombeiros numa reunião anteontem e as feitas ontem.

Entidades sindicais apoiam militares
A escadaria da Alerj, onde manifestantes estão acampados desde domingo, serviu de palco na quarta-feira para o movimento sindical. Apesar de os bombeiros não terem direito a se organizar em sindicatos, representantes da CUT, do Sindicato dos Bancários e da Força Sindical discursaram para os manifestantes. A Força Sindical doou cem colchonetes para eles continuarem acampados. Um ônibus alugado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Asseio, Conservação e Limpeza Urbana levou cerca de 50 estudantes de escolas estaduais de Niterói ao local, que recebeu a visita de outros alunos de colégios públicos e privados. Houve também uma passeata pelas ruas da cidade a favor dos bombeiros, com cerca de 500 pessoas.

Militares e alguns civis rasparam o cabelo em plena calçada, escrevendo o número 439 na nuca, numa referência ao total de bombeiros detidos após a invasão do Quartel Central. Um grupo de bombeiros pendurou numa grade um cartaz que pedia “anistia aos 439”.

Enquanto os protestos aconteciam fora da Alerj, dentro da Assembleia um grupo de cerca de 50 parentes de bombeiros presos se reunia com defensores públicos, para saber da situação jurídica dos detidos. À tarde, os defensores visitaram o quartel de Charitas, onde estão os presos.

Representante do movimento, o paramédico Paulo Nascimento disse na quarta-feira que a prioridade agora é anistia dos 439 bombeiros.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, recebeu na quarta um apelo de deputados federais de diferentes estados para intermediar um contato com o governo do estado, para minimizar a crise. Os parlamentares teriam discutido a possibilidade de o movimento se espalhar pelo país. Mais tarde, o Ministério da Justiça informou que Cardozo não prometeu fazer qualquer intermediação.

Os manifestantes levaram o protesto para além das escadarias da Alerj. Uma faixa de SOS foi pendurada por bombeiros no morro em que fica a Igreja Nossa Senhora da Penna.

2 comentários:

Luma Rosa disse...

Espero que os militares se unam porque o cidadão perde muito com isso, além do que, o Estado também tem que retroagir, se colocar de frente para os problemas e parar de dar voltinhas. Ainda lembro de um fato acontecido em frente a Alerj quando este mesmo governador mandou atirar bombas em professores grevistas e água nos petroleiros que ficaram nus em protesto. O estado tem essa mania de colocar uns contra os outros para tirar de si o foco - Coloca famílias e instituições de ensino a culparem o professor, sendo que a culpa toda é do Estado, assim faz com as outras categorias de profissionais.
Presenciei a passeata em Cabo Frio. Boa sorte pra vocês!

sergio passos disse...

TODOS JUNTOS 09/02/NA CINELANDIA CBMERJ,PMERJ.PCERJ.E DEMAIS FUNCIONARIOS PUBLICOS QUE VIVEM COM ESTE SALARIO DE FOME QUEREMOS DIGNIDADE JA JUNTOS SEREMOS FORTES OLHEM O EXEMPLO QUE A UNIAÕ FAZ A FORÇA OLHE QUE ACONTECEU NO LIBANO NO EGITO E OUTROS PAISES QUE O POVO SE UNIU E ACABOU COM A COVARDIA QUE O GOVERNO FAZIA COM O POVO VAMOS USAR COMO EXEMPLO VAMOS NOS UNIR NAÕ SE ILUDÃO POR ESTES ABONOS DE CALA BOCA QUE O GOVERNADOR ESTA OFERECENDO COMO ENGODO E QUE MUITOS COMPANHEIROS ESTÃO SE ACOMODANDO COM ESTA MISERIA DE 500 REAIS ESTAÕ SE PORTANDO IGUAL A JUDAS ESCARIODES VAMOS LUTAR POR DIGNIDADE SOU PAPA-MAYK COM ORGULHO E ESTOU COM OS BRAVO-MAYK PARA O QUE DER E VIER POIS PIOR DO-QUE ESTA EU NÃO ACREDITO QUE FIQUE POR QUE EU NUNCA EM 28 ANOS DE SERVIÇO PASSEI TANTA HUMILHAÇÃO SALARIAL UM FORTE ABRAÇO A TODOS ATE A VITORIA

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