quarta-feira, 8 de junho de 2011

Outras categorias se unem aos bombeiros em busca de Dignidade


A bandeira vermelha do Corpo de Bombeiros passou para as mãos de outras categorias de servidores estaduais. A batalha salarial da corporação aqueceu os ânimos de outros setores, que decidiram se unir para pressionar o governador Sérgio Cabral. Ontem, professores estaduais decretaram greve por tempo indeterminado. Hoje, às 11h, na Associação de Cabos e Soldados dos Bombeiros, policiais civis e PMs se unirão aos manifestantes, formalizando uma proposta unificada de melhorias salariais e de condições de trabalho.

— A insatisfação da categoria vem de muito tempo. Em 2009, a política de gratificação deixou muitos bombeiros de fora. E vincular a categoria à Secretaria de Saúde foi um ato sem amparo legal. Para não gastar dinheiro, o governo usou os bombeiros para o atendimento médico de emergência à população em vez de fazer concurso e ampliar o quadro do funcionalismo — afirma o presidente da Associação de Praças PM e BM, Vanderley Ribeiro.

O casamento sonhado pelo governador entre os bombeiros e a Secretaria de Saúde sempre foi cercado de conflitos. Militares, eles não aceitam estar sob o comando de um secretário que não pertence às forças policiais e de Segurança.

— Houve uma quebra de hierarquia. O nosso comandante é um secretário de Saúde — reclama um dos porta-vozes do movimento, o cabo Laércio Soares.

Escolhido pelo governador para tentar debelar a crise, o novo comandante dos bombeiros, coronel Sérgio Simões, tentou ontem pôr fim ao impasse. Pela manhã, visitou os mais de 400 militares que estão presos no quartel de Charitas, em Niterói. O coronel propôs agir como mediador. A tentativa, porém, foi por água abaixo.

Inflamados, os detidos recusaram. E resolveram fazer novo protesto, raspando o cabelo e deixando à mostra na nuca apenas o número 439 (quantidade de presos). À noite, o coronel fez nova tentativa: recebeu três líderes do movimento em seu gabinete. E admitiu que o soldo da categoria é defasado:

— A defasagem veio se agravando. O salário é uma dificuldade na corporação.

Participaram da reunião o deputado Paulo Melo e o secretário de Saúde, Sérgio Côrtes. Enquanto isso, no domingo, servidores planejam uma caminhada pela Praia de Copacabana. O impasse parece longe do fim.

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